Legatus
Às vezes um pé na porta
Noutras um pé no chão
Às vezes um tanto torta
Ainda que vara de condão
Às vezes tudo indica
Noutras nada parece
Às vezes é tudo guerra
Noutras é tudo prece
Às vezes o sol na porta
Noutras chuva torrencial
Às vezes Inês é morta
Noutras ela é imortal
Às vezes viver é belo
Noutras é pedra no rim
Às vezes é esforço hercúleo
Noutras é só atchim
Às vezes tenho certeza
Noutras tenho noção
Às vezes família à mesa
Noutras café no chão
Às vezes prédio de vidro
Noutras rústica palafita
Às vezes tapete vermelho
Noutras nem se cogita
Às vezes mãos de cobrir os olhos
Noutras mãos de tatear
Da era dos deuses um espólio
Já nos é liberado sonhar
Sendo espólio ou
mero regalo
Ainda que pobre e deficiente
Se o sonho é tudo
que temos
Sonhar é mais que suficiente
Legatus
Às vezes um pé na porta
Noutras um pé no chão
Às vezes um tanto torta
Ainda que vara de condão
Às vezes tudo indica
Noutras nada parece
Às vezes é tudo guerra
Noutras é tudo prece
Às vezes o sol na porta
Noutras chuva torrencial
Às vezes Inês é morta
Noutras ela é imortal
Às vezes viver é belo
Noutras é pedra no rim
Às vezes é esforço hercúleo
Noutras é só atchim
Às vezes tenho certeza
Noutras tenho noção
Às vezes família à mesa
Noutras café no chão
Às vezes prédio de vidro
Noutras rústica palafita
Às vezes tapete vermelho
Noutras nem se cogita
Às vezes mãos de cobrir os olhos
Noutras mãos de tatear
Da era dos deuses um espólio
Já nos é liberado sonhar
Sendo espólio ou
mero regalo
Ainda que pobre e deficiente
Se o sonho é tudo
que temos
Sonhar é mais que suficiente

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