As horas abismais
Onde o vácuo preenche
O que deveria estar cheio
De sangue e ar quente
Aquele tempo
Aquele tempo distante
Onde a ideologia e as certezas
Eram bússola
Hoje tudo é cinza
Cinza morno
Cinza de cinzas
Aquele tempo
Aquele tempo de nunca mais
Onde amor era obrigatório
Onde justiça e caridade
Eram mais do que dogmas
Tempo de certeza
Tempo de esperança
Onde o melhor
Estava sempre por vir
Hoje sou um porco
Um porco fascista
Retrógrado, preconceituoso
Quadrado, covarde e vil
O tempo apaga a brasa
Do carvão que se afasta da chama
Hoje sou estrada, não carro
Sou bóia, não barco
Sou ninho e não pássaro
Onde está a beleza do mundo?
Onde está o mistério do planeta?
Horas abismais, vidas surreais, sentimentos sobrenaturais... isso.
ResponderExcluirParabéns pelo texto.